O GestorPRO não começou num escritório. Começou numa folha branca, desenhada à hora de almoço por um jovem que nunca desistiu de estudar.
O GestorPRO foi idealizado e desenhado graças às dificuldades por que passou o seu mentor. Esta é a história dele — e é por causa dela que o sistema é como é.
Gostava de estudar, mas as dificuldades financeiras da família não deixaram o pai mantê-lo na escola. Se queria continuar, teria de ser ele a pagar.
Fez-se saqueiro no Mercado da Estalagem. Para sustentar os estudos vendeu carcaça, bolinhos e água fresca na zunga. Foi assim que estudou até à 9.ª classe.
Teve de interromper os estudos para tomar conta dos irmãos. A escola ficou para depois — mas não ficou esquecida.
Emigrou para a Lunda à procura de melhores condições de vida. Durante os confrontos, foi baleado. Sobreviveu, e voltou.
De regresso, casou com uma linda mulher. Tinha então a 10.ª classe. Em 2012, o cunhado, muito amoroso, arranjou-lhe emprego numa das grandes empresas de tecnologias de Angola — e foi ali que nasceu a grande visão: um dia, empreender.
Os colegas troçavam dele por causa das roupas repetidas. O chefe maltratava-o e chegou a chamar-lhe medíocre.
Ele voltou a estudar, com muita dificuldade. O trabalho era longe e chegava tarde ao serviço. Não disse nada à empresa — e terminou o ensino médio.
Na sala onde era fiel de armazém, à hora de almoço, só desenhava numa folha branca. Às vezes estudava fórmulas no Excel. Um colega, ao ver aquilo, perguntou: «Isso é o quê?»
Era o projecto do GestorPRO.
«Isso é o quê?»
Depois de ser despedido, não parou. A partir de 2015 tornou-se freelancer de aplicativos de gestão, a trabalhar com parceiros exigentes que não lhe facilitaram a vida.
Sempre analisou os aplicativos na óptica de quem os usa — e ajudou a melhorar muitos deles.
O rapaz que vendia na zunga para pagar a escola continuou a estudar e formou-se em Economia e Gestão na Universidade Jean Piaget.
Tinha uma visão tão ampla que chegou a ser apontado como concorrente de um dos produtores de software de Angola — quando ainda não tinha nenhum produto no mercado. Por causa disso, sofreu muitas tentativas de bloqueio.
Chegou a juntar mais de cinco engenheiros para patrocinar um projecto. Infelizmente, foi burlado.
Com fé e determinação, levantou-se de cada queda e pôs o GestorPRO de pé: um sistema criado para dar resposta às dificuldades dos angolanos.
Hoje o GestorPRO conta com três jovens dedicados ao suporte e às implementações, uma comercial, e parceiros e promotores à volta de Angola.
O objectivo é fazer história com quem tem vontade de crescer — e nunca concorrer com os seus parceiros.
Porque quem o fez sempre foi um jovem batalhador e persistente — e porque cada parte do GestorPRO foi pensada por quem conhece por dentro a realidade de quem trabalha em Angola: o mercado, a zunga, o armazém, o salário que tem de chegar ao fim do mês. Fazemos um sistema simples para quem não tem tempo a perder — porque o nosso mentor também nunca teve.